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Revelação messiânica no Antigo Testamento

TEXTO BÁSICO: Hebreus 1.1-14

OBJETIVO: O objetivo é apresentar alguns aspectos no Velho Testamento sobre Cristo e Sua obra.

INTRODUÇÃO: Deus é um Deus que se revela. Deus se revelou através do Filho Hb 1.1-2. Podemos ter uma pequena compreensão sobre a Pessoa de Cristo no Antigo Testamento estudando alguns aspectos, por exemplo: os “tipos” de Cristo; os sacrifícios do antigo pacto e sua relação com Jesus; as profecias que se cumpriram no Novo Testamento e, por fim, as Teofanias e sua relação com o filho de Deus. Trataremos, por causa do espaço da lição, de forma sucinta sobre o tema citado, contudo, os textos apresentados serão suficientes para a compreensão do aluno.

(1) A revelação de Cristo no A.T. através dos Tipos. Dentre vários, iremos citar alguns:

Em Teologia Bíblica, a tipologia é o estudo dos tipos e se denomina assim a um objeto, animal, pessoa ou instituição, em geral do A.T., que representava ou prefigurava outra, chamada “antítipo”, cujo cumprimento se produz ou se anuncia no N.T. Um tipo se diferencia de um símbolo ou de uma profecia, em que o tipo tem existência histórica. Por exemplo: Agar e Sara foram tipo do Pacto antigo e novo (Gl 4). O templo foi um tipo de Igreja (1Co 3.16-17). Tem-se, contudo, de sermos cuidadosos, porque na tipologia alguns tem exagerado indo além do que o N.T. revela. Em geral, só podemos afirmar com segurança a existência de uma relação tipo-antitipo quando o N.T. o declarar explicitamente. Nos demais casos se torna apenas conjectura humana e, por vezes, falíveis.

1.1  – Adão – como representante da raça e primeiro homem, é “figura daquele que havia de vir” (Rm 5.14c). Por isso é dito que se pela desobediência de um, todos morreram, pela obediência de um muitos serão salvos (Rm 5:19). Cristo é chamado de “o último Adão em espírito vivificante” (1Co 15.45b).

1.2  – Abel – O justo, ofereceu excelente sacrifício, aprovado por Deus. Oferta que, mesmo depois de sua morte, ainda fala (Hb 11.4). No trecho seguinte o autor de Hebreus não menciona “outras coisas”, mas “coisas superiores” que Jesus e o sangue da aspersão falam através de Abel (Hb 12.24).

1.3  – Melquisedeque – Rei e sacerdote, abençoou e recebeu dízimo dos despojos de Abraão, o Pai da fé e bisavô de Levi (Gn 14). Cristo em seu sacerdócio é o seu antítipo (Hb 7).

1.4  – José do Egito – De todos os tipos de Cristo do V.T., não há nenhum mais amplo, completo e mais instrutivo que José. Embora o NT não indica que José é um tipo de Cristo, porém, as analogias são demasiadamente numerosas para serem acidentais. Por exemplo: “Através do poço e da prisão, rumo ao palácio” – assim pode ser resumida a história de José. “Por meio da manjedoura e da cruz, rumo à coroa de glória” – pode igualmente descrever “os sofrimentos referentes a Cristo e as glórias que os seguiram” (1Pe 1.11). Amado por seu pai (Israel amava mais a José – Gn 37.3). No NT é declarado o amor do Pai para com o “Filho amado” (Mc 1.11; 9.7; Jo 3.35). Os sonhos de José (Gn 37:6-10) eram revelações de Deus sobre a sua glória futura. Da mesma forma, a grandeza futura da criancinha de Belém lhe foi revelada por um mensageiro angélico (Lc 1.32,33: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo”). Ambos foram odiados por seus irmãos que conspiravam sua morte (Gn 37.8; Gn 37.18; Mc 3.6; 12.6,7; Mt 26.4). Ambos foram despidos de sua túnica (honra) (Gn 37.23; Mt 27:28). José foi tirado da casa de seu pai e foi viver no Egito como servo. Jesus também deixou a casa do Pai celestial e veio ao mundo em forma de servo (Fp 2.7). Venderam José como escravo por vinte siclos de prata (Gn 37.28) e Jesus por preço de escravo, trinta moedas de prata (Mt 26.15). José e Jesus foram contatos com os transgressores. No final de suas vidas, o Senhor fez conhecer sua glória e autoridade àqueles que o odiavam (Mt 26.64, Mc 14.62). José foi o salvador de seu povo, Jesus é o Salvador dos eleitos.

1.5  – Moisés – renunciou o trono do Egito, preferindo sofrer com o povo de Deus pelo opróbrio de Cristo (Hb 11.23-29). Ele foi profeta (Dt 18.18) e mediador que intercedeu pelo povo (Êx 32.30-32). Moisés é uma figura daquele que haveria de vir (Hb 3.1-6).

(2) A Revelação de Cristo através dos Sacrifícios no A.T.

2.1 – O Cordeiro Pascal – Êxodo 12.12-13. A salvação pelo cordeiro (sem defeito) sacrificado na páscoa ajusta-se ao seu antítipo: Cristo em seu sacrifício perfeito na cruz. Essa perspectiva tipológica expressa a ênfase bíblica de que “sem derramamento de sangue não há remissão” (Hb 9.22). Quando João Batista afirma: “Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29), ele está corretamente interpretando Jesus como o antítipo do cordeiro pascal. Além disso, na própria Ceia do Senhor, celebrada numa refeição pascal, temos a confirmação de que o cordeiro pascal da antiga aliança era um tipo de Cristo: “Isto é o meu sangue, o sangue da [nova] aliança(Mc 14.24)”. Eis o único sacrifício que agradou a Deus. Não é mais preciso hoje fazer “sacrifícios” diante de Deus para sermos aceitos por Ele. Basta crer no sacrifício que Jesus já fez na cruz do Calvário, de uma vez por todas e para sempre.

2.2 – A Serpente de Bronze – Nm 21. Cristo, o antítipo, em sua maldição na cruz é o antídoto para a picada do pecado, da morte eterna (Jo 3.14). Esse é o significado da serpente amaldiçoada num pedestal (Nm 21.8,9). Bastava olhar para a serpente de bronze para que a cura fosse efetuada. Hoje, basta “olhar” para Jesus para termos os pecados, o veneno de nossa alma, retirados para a glória de Deus. Nada de corrente, rosa ungida, sal grosso etc. Olhe pra Jesus e viva uma vida de plena paz e perdão.

2.3 – O Véu do Templo – Em Marcos 15.37-38 podemos ver a relação entre o véu rasgado e a carne de Cristo que tipifica a mediação expiatória (Hebreus 10.19-22). Este é um “tipo de acesso”. O véu que até então ficava dependurado entre o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo fora rasgado (Êx 26.33) e agora temos acesso diante de Deus, sem mediadores humanos, sejam eles padres, pastores, bispos ou apóstolos.

2.4  – A Rocha Ferida – A rocha era Cristo, que, na cruz, seria ferido apenas uma vez (1Co 10.4). Moisés, numa segunda ocasião, foi ordenado a falar com ela; e pela sua desobediência a essa ordem não recebeu licença de entrar na terra prometida.

2.5 – O Bode Expiatório de Levítico 16 – A doutrina da expiação da Igreja Cristã tem defendido que Cristo é o único expiador, sendo que Satanás não tem nenhuma parte na expiação. Com base em Levítico 16.5-10, alegando que o bode emissário tipifica Satanás, os Adventistas do Sétimo Dia[1] defendem que Satanás não somente levará o peso e castigo de seus próprios pecados, mas também os pecados da hoste dos remidos, os quais foram colocados sobre ele. No entanto, veja o que diz a Bíblia: Isaías 53.4-6, 11, 12 e compare com Mateus 8.16-17; João 1.29; 1Pedro 2.24; 3.18.

Segundo o ensino dos ASD: Satanás terá de levar sobre si os pecados dos remidos e expiá-los, tornando-o assim co-redentor. O próprio Satanás terá de ser um dia aniquilado para que os pecados dos crentes sejam também cancelados.

Segundo o ensino da Bíblia: Os nossos pecados foram colocados sobre Jesus (Jo 1.29; 1Pe2.24; Is 53.4-6,11; Mt 8.16,17; 1Pe 3.18). Satanás será castigado pelos seus pecados (Mt 25.41).

O que o bode representa afinal? Lv 16.5,10: São apresentados dois bodes para expiação dos pecados; Não era só o bode expiatório que fazia expiação pelo pecado. Eram os dois bodes (Lv 16.10). Portanto, trata-se apenas de dois aspectos com relação a obra de Cristo: ele é o mesmo que paga pelos nossos pecados derramando o seu sangue, como também, é o mesmo que leva nossos pecados embora para sempre.

(3) A revelação de Cristo no A. T. através das profecias.

Devido ao espaço da lição iremos apenas citar algumas profecias com relação a Cristo e Sua obra salvífica expressa no A.T., e seu cumprimento no N.T[2]. Como nos diz Isaías: “diz, “Lembrai-vos das coisas passadas da antiguidade; que eu sou Deus e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; e que desde o princípio anuncio o que há de acontecer, e desde a antiguidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade”. Cristo cumpre como ninguém as profecias do A.T. Até mesmo aquelas que estariam a parte de qualquer intervenção humana.

  • Nasceria da Semente de Mulher – Gênesis 3.15; Mateus 1.20
  • Nasceria de uma Virgem – Isaías 7.14; Mateus 1.18, 25
  • Filho de Deus – Salmo 2.7; Mateus 3.17
  • Semente de Abraão – Gênesis 22.18; Mateus 1.1
  • Filho de Isaque – Gênesis 21.12; Lucas 3.23-34
  • Casa de Davi – Jeremias 23.5; Lucas 3.23-31
  • Nasceria em Belém – Miquéias 5.2; Mateus 2.1
  • Ele seria um Profeta – Deuteronômio 18.18; Mateus 21.11
  • Ele seria um Sacerdote – Salmo 110.4; Hebreus 3.1; Hebreus 5.5-6
  • Ele seria o Rei de todo Israel – Salmo 2.6; Mateus 27.37
  • Ele seria Juiz – Isaías 33.22; João 5.30
  • Ele deveria ser precedido por um Mensageiro – Isaías 40.3; Mateus 3.1-2
  • Seria rejeitado pelo Seu próprio povo – Isaías 53.3; João 7.5; João 7.48
  • Seu lado seria perfurado – Zacarias 12.10; João 19.34
  • Crucificação – Salmo 22.1, 11-18; Lucas 23.33; João 19:33; João 19.23-24

(4) A revelação de Cristo através das Teofanias.

A palavra Teofania significa: “manifestação” ou “aparição de Deus.” Várias passagens do Antigo e do Novo Testamento nos dizem que Deus é invisível, inacessível para os seres criados. Outras, de fato, nos recomendam procurar a face de Deus. Nós devemos aceitar juntas estas duas verdades aparentemente contraditórias e lembrarmo-nos do texto evangélico que diz que só se conhece o Pai através do Filho “e aquele a quem o Filho O quiser revelar” (Mt 11.27).

Encontra-se no Antigo Testamento numerosas “Teofanias”. E frequentemente coma aparição de um anjo que Deus Se põe a serviço do homem (Gn 16.7-14). Deus permanece invisível, porém Sua presença é assinalada, como no episódio do combate de Jacó com Deus (Gn 32.23-33). Para Moisés, foi de início sob o aspecto da sarça ardente (Êx 3.1-7) que Deus se manifestou antes de Se revelar sobre o Monte Sinai (Êx 33.18-23). A presença de Deus Se manifestou a Elias como uma “voz mansa e delicada” (1Rs 19.12).

O Anjo do Senhor que aparece em diversas passagens do Novo Testamento é comparado com JEOVÁ. A passagem que melhor descreve esta relação encontra-se em Isaías 63:8-9, onde Deus é chamado de Salvador de Israel, mas é o Anjo da Sua presença que salva Israel. Este Anjo de Deus é geralmente visto pelos primeiros pais da Igreja como o Logos ou a Palavra de Deus (João 1.1), aquele que declarou Deus e cuja glória nós vimos (João 1.14,18; cf João 12.45; 14.9; 2Coríntios 4.4-6; Colossenses 1.15; 2:9; Hebreus 1.3). Segue uma lista de versículos onde este Anjo/Logos aparece: Gn 16.7-14; 21.17-19; 22.1-2,11-18; 31.11-13 com 28.13 e 35.1,3,7,15;  48.15-16. Êx 3.1-6; 13.21-22; 14.19 e Nm 20.16; 23.20-23. Cf Atos 7.30-38. Is 63.8-9; Os 12.3-5. Cf Gn 32.24-30. Malaquias 3.1 (mensageiro da aliança = anjo da aliança).

CONCLUSÃO: As considerações finais podem ser resumidas nos seguintes pontos: (1) que a Bíblia é a Palavra de Deus; (2) que ela constitui um todo de forma sobrenatural e perfeita; (3) que o Antigo e o Novo Testamento estão relacionados um com o outro como tipo e antítipo, profecia e cumprimento, embrião e desenvolvimento perfeito; e (4) que Cristo é o tema central da Palavra e Deus – tire Cristo da Palavra e não sobrará nada do que pregar. E infelizmente é isso que tem acontecido. Quando Cristo não é pregado surge toda sorte de heresias destruidoras e doutrinas de demônios.

PERGUNTAS PARA REFLEXÃO:

1. Quais outros tipos de Cristo você pode identificar no A.T.?

2. Em sua opinião, qual sacrifício do A.T. mostra melhor a Pessoa de Cristo e Sua obra na cruz?

3. Cite, pelo menos, mais cinco profecias relacionadas com Cristo e que importância elas tem para a sua salvação?

4. Como você pode provar que o Anjo do Senhor é Jesus pré-encarnado? Isso não seria uma heresia?

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