Quando as trevas nos cercam

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Jonas foi comissionado para ir a Nínive pregar, ou, avisar que o fim daquele povo estava próximo, pois a sua malícia havia chegado aos céus (Jn 1.2). É interessante observar que tanto o bem, quanto o mal que uma pessoa ou mesmo uma nação pratica – e isso independentemente se ser cristã ou não – sobe até aos céus. A Bíblia nos dá vários exemplos disso. Por exemplo, Amós denuncia o pecado de seis nações gentílicas antes de pronunciar julgamento sobre Judá e Israel, ou seja, o pecado não fica impune diante de Deus. Como disse o apóstolo Paulo aos Colossenses 3.25: “pois aquele que faz injustiça receberá em troco a injustiça feita; e nisto não há acepção de pessoas”. 

Por isso, eu gostaria de destacar aqui, em nível de introdução, que tanto a maldade quanto a bondade que uma pessoa pratica chega até aos céus, mesmo de quem não conhece a Deus. A maldade de Nínive, por exemplo, havia chegado aos céus, mas a bondade do centurião Cornélio também (At 10.1-4). Em ambos os casos o Senhor enviou pessoas para pregar a palavra de salvação, dando assim a oportunidade para o arrependimento.

Para Nínive o Senhor envia Jonas. Para casa de Cornélio o Senhor envia Pedro. Pedro está em Jope, quando tem uma revelação de Deus, e em obediência a palavra do Senhor vai à casa de Cornélio. Jonas quando chega a Jope pega um navio que ia para Társis em desobediência a ordem do Senhor.

Na casa de Cornélio todos se convertem ao Senhor, no navio em que se encontrava Jonas também houve conversão em massa – não porque Jonas prega a palavra de arrependimento, mas por ter falado a verdade a cerca de Deus e de ser ele o causador da tempestade. Pedro retorna da casa de Cornélio e explica a Igreja de Jerusalém o que o Senhor havia feito na casa de um gentio; no entanto, após a conversão dos marinheiros, Jonas pede para ser lançado ao mar. Quanta diferença entre esses dois servos de Deus. Ordens iguais – ir aos gentios. Reações diferentes diante dessa ordem. Um se alegra com a conversão dos gentios, o outro continua obstinado em não obedecer a Deus.

Voltemos a nossa atenção a Jonas. Jonas ao se ver responsável por aquele mal, pede para ser lançado ao mar (Jn 1.12), pois para ele a morte era melhor que ir a Nínive. Ele reconhece que é o responsável pelo o que estava acontecendo, mas mesmo assim não se arrepende. Jonas é um homem obstinado em dizer não para Deus. Como se pudéssemos fazer isso. Como escreveu Paulo aos Romanos: “Pois quem jamais resistiu a Sua vontade?” (Rm 9.19b). Deus é soberano, e o que Ele determinou há de se cumprir. Jonas, no entanto, não havia aprendido isso ainda.

Olhando esse ocorrido na vida de Jonas, podemos aprender algumas lições importantes para nossa vida.

1 – A primeira lição que aprendo é que muitas vezes, quando estamos longe do Senhor, Ele permite que sejamos tragados pela calamidade (Jn 1.17).

Jonas havia desistido de Deus e de sua missão, mas Deus não havia desistido de Jonas, e muito menos do projeto que tinha para ele. Tanto que quando Jonas é lançado ao mar, para que ele não morresse afogado, o Senhor envia o grande peixe para engoli-lo e lhe salvar a vida. Jonas, certamente, pensou que agora era o seu fim, mas era apenas o começo do que o Senhor queria fazer com ele.

Jonas foi tragado pelo grande peixe e ficou três dias e três noites em seu ventre. Muitas pessoas pensam que essa passagem bíblica é uma lenda e não um fato real. No entanto, essa passagem foi confirmada pelo próprio Senhor Jesus como simbolizando a Sua morte e ressurreição (Mt 12.40). Aquele que enviou o grande peixe para engolir Jonas confirma esse fato em Seu próprio ministério. Esse ocorrido na vida de Jonas não foi obra do acaso. Jonas foi tragado pelo grande peixe por ordem expressa de Deus. O Senhor havia dado uma ordem a Jonas e ele não tinha como fugir daquilo que o Senhor lhe havia ordenado. Jonas tinha uma missão e o Senhor não deixaria de cumpri-la porque o profeta estava fazendo “piegas” para Deus; nem que para isso a natureza fosse envolvida.

Entenda uma coisa meu irmão e minha irmã, as adversidades da vida são pedagógicas, principalmente se estivermos na contramão de Deus. Como disse o salmista no Salmo 119.71: “Foi-me bom ter passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos”. Na escola da aflição descobrimos que o Senhor nos ama mais do que possamos imaginar, pois muitas vezes a aflição é que nos mantém vivos em Sua presença.

Há um texto em Oséias 2.14, 15 que nos diz assim: “Portanto, eis que eu a atrairei, e a levarei para o deserto, e lhe falarei ao coração. E lhe darei, dali, as suas vinhas e o vale de Acor por porta de esperança…”. Com o Senhor, mesmo na crise, Ele está nos abençoando. Aqui, nesse texto de Oséias, o vale de Acor – Acor quer dizer desespero. Este foi o lugar onde os Israelitas perderam a batalha contra a cidade de Ai, por causa do pecado de Acã (Js 7.24-26). O deserto se transforma em um lugar produtivo e o desespero se transforma em esperança, pois o Senhor é o nosso amparo em todo o tempo.

Jonas, quando estava dentro do grande peixe, não podia imaginar que era o grande amor de Deus por ele que estava permitindo tudo aquilo. Talvez você esteja se sentindo assim como Jonas, sufocado pelas adversidades; quero lhe dar dois conselhos. Primeiro, reavalie a sua vida com Deus e veja se você não está andando na contramão de Deus, e o segundo conselho, se estiver andando na contramão, volte para Ele, pois o que está acontecendo com você é a boa mão do Senhor lhe chamando ao arrependimento.

2 – A segunda lição que aprendo aqui, é que na angústia aprendemos a orar (Jn 2.1, 2, 7).

Dentro do grande peixe Jonas ora. A sua apatia começa a ser tratada dentro do grande peixe. Observe que ele não ora para fugir de Deus. Não ora quando compra a passagem para Társis. Não ora quando vai dormir no porão do navio. Não ora nem quando lhe pedem para orar e não ora quando é lançado ao mar. No entanto, de dentro do grande peixe Jonas ora. Embora não sabemos se ele ora no primeiro, no segundo ou só no terceiro dia, mas uma nós coisa sabemos, Jonas se lembra de Deus e ora. É interessante observar que o mesmo Jonas que tenta fugir da presença de Deus sem oração, agora, se entrega a ela. Agora ele clama ao Senhor!

“Na minha angústia, clamei ao Senhor…” (Jn 2.2a). Somente na angústia foi que Jonas se lembrou de orar. Mas foi nesse momento de grande angústia que Jonas descobre que mesmo andando na contramão de Deus, Ele ainda o ouve. Como é bom saber que somos salvos não pelos nossos méritos, mas pela infinita misericórdia do nosso Deus. Somos salvos mediante a graça, e somente por ela.

Observe o que ele nos diz: “Na minha angústia, clamei ao Senhor, e ele me respondeu; do ventre do abismo, gritei, e tu me ouviste a voz” (Jn 2.2). Jonas vê na prática o que o Senhor falou a Salomão quando o templo foi consagrado: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.”(2Cr 7.14). Jonas descobre que “a mão do Senhor não está encolhida, para que não possa salvar; nem surdo os seus ouvidos, para não poder ouvir” (Is 59.1).

Como nos diz o Salmo 139.7, 8: “Para onde me ausentarei do teu Espírito? Para onde fugirei da tua face? Se subo aos céus, lá estás; se faço a minha cama no mais profundo abismo, lá estás também”. Talvez você esteja se sentindo no mais profundo abismo, se sentindo totalmente só, se vendo cercado pelas trevas, mas saiba que o Senhor está mais próximo do que você possa imaginar. Clame ao Senhor que Ele está pronto a ouvir o clamor de seus lábios. Como nos fala Davi no Salmo 51.17: “Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus”. E como nos fala Asafe no Salmo 50.15: “Invoca-me no dia da angústia; e eu te livrarei, e tu me glorificarás”.

O Senhor está pronto a ouvir o seu clamor. Aleluia!

3 – A terceira lição que aprendo aqui, que o Senhor corrige a quem Ele ama (Jn 2.3).

Jonas tinha plena consciência de que tudo aquilo que estava lhe acontecendo provinha de Deus. Jonas não culpou os marinheiros por terem lhe lançado ao mar, mas ele entendeu que foi o próprio Deus que fizera isso. Infelizmente, existem muitas pessoas que por não entenderem o amor de Deus culpam as pessoas e até mesmo o diabo pelas lutas que estão enfrentando. Duas coisas que creio que são necessárias em nossas vidas, uma é o discernimento espiritual e a outra é a maturidade espiritual. Discernimento e maturidade espiritual devem andar de mãos dadas.

Por falta dessas duas coisas básicas, muitas pessoas veem o diabo em tudo, e se sentem perseguidas pelas pessoas, se veem como vítimas o tempo todo. Muitas pessoas são criadoras de tempestades e não se dão conta disso. Assim como um pai corrige os seus filhos, da mesma forma o Senhor corrige a cada um de nós também. Somos seus filhos, e na condição de filhos Ele procura nos disciplinar para deixarmos a seu tempo a imaturidade. Como disse Paulo em 1Co 13.11: “Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das coisas próprias de menino”.

O autor de Hebreus nos fala disso de forma muito clara quando nos diz: “Filho meu, não menosprezes a correção que vem do Senhor, nem desmaies quando por ele é reprovado; porque o Senhor corrige a quem ama e açoita a todo filho a quem recebe. É para a disciplina que perseverais (Deus vos trata como filhos); pois que filho há que o pai não corrige? Mas, se estais sem correção, de que todos têm tornado participantes, logo, sois bastardos e não filhos. Além disso, tínhamos os nossos pais segundo a carne, que nos corrigiam, e os respeitávamos; não havemos de estar em muito maior submissão ao Pai espiritual e, então viveremos? Pois eles nos corrigiam por pouco tempo, segundo melhor lhes parecia; Deus, porém, nos disciplina para aproveitamento, a fim de sermos participantes da sua santidade. Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercidos, fruto de justiça” (Hb 12.5-11).

Na condição de filho, Jonas estava sendo disciplinado. Estava passando pelo açoite divino para o seu crescimento espiritual. Assim como Judá foi corrigido pelo Senhor quando Ele lhes enviou para a Babilônia, e lhes enviou uma carta através de Jeremias, dizendo-lhes: “Eu é que sei que pensamentos tenho a vosso respeito, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal, para vos dar o fim que desejais. Então, me invocareis, passareis a orar a mim, e eu vos ouvirei. Buscar-me-eis e me achareis quando me buscardes de todo o vosso coração” (Jr 29.11-13).

A disciplina de Deus, mais uma vez afirmamos, é prova do seu amor por nós. O texto de Jeremias nos deixa claro isto. Quando o Senhor nos corrige é para nos trazer de volta para o caminho da obediência. Assim como o Senhor fez com Jonas, Ele faz conosco também.

4 – A quarta lição que aprendo aqui, que quando estamos passando pela angústia valorizamos mais a Deus (Jn 2.4).

Jonas foge de Deus e, agora, dentro do grande peixe se lamenta por ter sido lançado da presença do Senhor. Jonas está valorizando o que realmente tem valor em nossa vida: a presença do Senhor.

Os gregos diziam que “quando os deuses queriam castigar os homens lhes davam o que eles queriam”. Jonas quis fugir de Deus, e o Senhor permitiu que isso ocorresse com o profeta. Jonas então experimentou o que é estar longe de Deus. E longe de Deus é o pior lugar para nós estarmos.

Jonas foge de Deus para não fazer a Sua vontade, mas para fazer a dele próprio. Quando eu ponho meus interesses pessoais acima dos interesses de Deus isso é pecado. E o salário do pecado é a morte, como nos fala Paulo em Rm 6.23. O pecado nos lança fora da presença de Deus. É impossível vivermos em pecado e em comunhão com Deus ao mesmo tempo. Ou nossa comunhão com Deus nos afasta do pecado ou o pecado nos afastará da comunhão com Deus.

Mas assim, como o filho pródigo se lembrou do pai, da mesma forma o profeta Jonas se lembrou do Pai. Observe que ele se lamenta por estar longe de Deus e se tornará a ver o Seu santo templo. O templo simbolizava a presença do Senhor e era lá que os pecados, através dos sacrifícios diários, eram expiados. O templo era lugar de comunhão com Deus. Jonas, agora, anseia por esta comunhão novamente.

Deus, muitas vezes, nos deixa passar pelo vale da sombra da morte, como nos fala o salmo 23, para entendermos que ao Seu lado há vida e alegria. E para realmente valorizarmos a Sua presença em nossas vidas.

5 – Quinta coisa que aprendo aqui é que quando estamos em profunda angústia e ânsia da morte, a misericórdia de Deus nos alcança (Jn 2.5, 6).

Jonas se vê em um profundo abismo. Jonas havia chegado ao fundo do poço; ele estava vendo a morte de perto e não tinha como sair, só um milagre poderia tirá-lo de lá.

A história de um milagre

No dia 12 de maio de 2008, uma segunda-feira, um terremoto de 8 graus de magnitude atingiu a província de Sichuan, no sudoeste do país. Este foi o mais violento terremoto registrado em várias décadas. Cerca de 90 mil mortos e desaparecidos, entre eles diversas crianças que foram soterradas sob os escombros de escolas mal construídas.

Um menino de 9 anos chamado Lin Hao foi o maior herói do terremoto de Sichuan. Ele salvou um amigo dos escombros e quando carregava o segundo foi atingido na cabeça. O menino não aceitou ser socorrido até ver o resgate da irmã e caminhou por sete horas ao encontro dos pais.

Lin Hao ainda fez mais, nas duas horas que passou soterrado, incentivou os colegas de classe a cantar, para que os bombeiros pudessem ouvir. Poucas vezes uma canção mereceu tantos aplausos.

Na cerimônia de abertura das Olimpíadas de Pequim na China, o menino entrou ao lado do jogador de basquete Yao Ming, de 2, 29 m. Este menino fez o mundo se perguntar: qual era o verdadeiro gigante.

Bom é não dependermos de milagre, mas se precisarmos a boa mão de Deus estará estendida para realizá-lo. E muitas vezes, Ele irá usar aquilo que aparentemente não tem como nos socorrer para nos socorrer.

Jonas precisava de um milagre e o alcançou. Talvez você esteja precisando de um milagre também, então saiba que o Senhor pode realizá-lo hoje em sua vida. Como disse Jonas você poderá dizer também: “Desci até os fundamentos dos montes, desci até à terra, cujos ferrolhos se correram sobre mim, para sempre; contudo, fizeste subir da sepultura a minha vida, ó Senhor, meu Deus!”

Jonas descobriu que mais profundo que qualquer abismo é a misericórdia do Senhor. Não há abismo tão grande que a graça do nosso Deus não nos possa alcançar.

6 – Sexta lição que aprendo aqui, que a obstinação de Jonas não passava de idolatria (Jn 2.8).

Qual é a definição de obstinado – característica do que ou de quem persiste; que possui persistência; firme.

No caso de Jonas, uma pessoa que defende sua opinião, ou causa, de forma veemente. E quando as nossas opiniões estão acima da vontade de Deus isso é idolatria. Por quê? Porque o que vale é o que eu penso e não o que Deus pensa. Se Ele pensa igual a mim, tudo bem, mas se Ele pensa diferente de mim aí quem precisa mudar de opinião é Ele.

Observe que Jonas amava mais Israel que a Deus e seu ódio pela Assíria também era maior que seu amor por Deus. Jonas tinha um nacionalismo que chegava as raias da idolatria. Esse nacionalismo havia se tornado um ídolo em sua vida, tanto que ele opta por desobedecer a ordem de Deus.

No entanto, Jonas quando se viu dentro do grande peixe caiu em si, assim como o filho pródigo caiu em si quando perdeu todo dinheiro e teve que cuidar de porcos. Ao cair em si, Jonas passa a assumir a sua própria idolatria. Ele não só era idólatra como estava totalmente apático a sua fé. Observe que os marinheiros demonstravam fervorosidade aos seus deuses, Jonas, no entanto, estava apático.

Foi a partir de dentro do grande peixe que Jonas começa recuperar a sua saúde espiritual, pois, a partir desse momento, ele reconhece que havia abandonado o Senhor que lhe era misericordioso. Jonas reconhece que quem se entrega a idolatria é uma pessoa ingrata. E ele se vê assim.

Muitas vezes o Senhor permite que passemos pela aflição para reconhecermos verdadeiramente a nossa condição espiritual. Quantas vezes começamos a nos tornar idólatras sem percebermos isso. Quantas vezes nos pegamos amando mais as bênçãos de Deus que o abençoador. A idolatria é muito sutil e perigosa e se nós não vigiarmos estaremos na mesma condição de Jonas.

Muitas vezes, por amor a nós, o Senhor nos coloca a prova só para voltarmos para o caminho certo. Isso me faz lembrar a prova que Abraão passou. Em Gn 22 nos diz que o Senhor colocou Abraão a prova lhe pedindo seu filho Isaque em sacrifício. Diz-nos a Bíblia que Abraão não discutiu com Deus, mas obedeceu, pois segundo o autor de Hebreus, Abraão cria que o Senhor era poderoso para ressuscitar o seu filho (Hb 11.17-19). Ao escolhermos a bênção ou o abençoador saberemos se somos idólatras ou não. É isso que define a nossa condição espiritual diante de Deus. O que tem valor para nós afinal de contas?

7 – A sétima lição que aprendo aqui, que não podemos desperdiçar as oportunidades que o Senhor nos dá (Jn 2.9, 10).

Jonas faz votos e promete que irá cumpri-los se o Senhor lhe der uma segunda chance.

Jonas dentro do grande peixe tem uma das maiores experiências com Deus. Jonas é renovado na sua fé. O avivamento começa no coração de Jonas antes de atingir os moradores de Nínive.

E esse avivamento é expresso de quatro formas:

Em primeiro lugar, através do agradecimento. Por ver que longe de Deus a vida não tem sentido e ver que o seu coração fora curado da idolatria ele é grato a Deus. Jonas estava sendo grato a Deus não por estar fora do ventre do grande peixe, mas por ter descoberto o amor de Deus. Sentir que Deus nos ama quando tudo nos vai bem é uma coisa, mas se sentir amado por Deus quando tudo nos ai mal é outra coisa.

Um bom exemplo de gratidão de Joni Eareckson Tada.

Depois de 47 anos vivendo com paralisia e, recentemente, descobrindo que ela agora tem câncer de mama, Joni Eareckson Tada permanece em sorrisos.

Em 1967, na época com 17 anos, ela e sua irmã foram mergulhar. Foi um mergulho imprudente em águas rasas que deixou-a tetraplégica.

Ela afirmou em seu vídeo mensagem que ela e seu marido, Ken Tada, estão “absolutamente convencidos” que Deus está indo fazer do câncer “algo grande” através do ministério de Joni e Amigos. Além disso, ela está agora apta a simpatizar e viajar juntamente com as pessoas que não estão somente em dificuldades de deficiência, mas também com câncer.

Tada assegurou que ela não será “sacudida” pelo câncer, mas irá continuar a confiar em Deus como sua rocha e fortaleza. “Eu quero dizer, que eu não passei 47 anos de tetraparalisia, para ser sacudida por esta notícia, certo?” disse ela.

Em uma entrevista ela disse: “O Senhor é um Deus de grande generosidade e enorme misericórdia, de modo que permite o curso do sofrimento. Ele não o detém até que haja mais tempo para amealhar mais pessoas para o aprisco da comunhão de Cristo”.

Quantos de nós, por muito menos, reclamam da vida e até pensam em desistir de tudo. Por isso, devemos fazer como o profeta Jeremias que disse: “Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade”. Lm 3.21-23.

Em segundo lugar, através da oferta de sacrifício. Ele se lembra de que através dos sacrifícios diários o Senhor era louvado todos os dias no templo. E ele, se tiver outra oportunidade, quer oferecer sacrifícios ao Senhor em Seu templo novamente.

Em terceiro lugar, pagamento dos votos. Jonas reconhece que quebrou a sua promessa ao fugir para longe do Senhor. Mas agora ele quer ir até o fim com sua palavra. Como nos diz o salmista no Salmo 116.12-14: “Que darei ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo? Tomarei o cálice da salvação e invocarei o nome do Senhor. Cumprirei os meus votos ao Senhor, na presença de todo o seu povo”.

Em quarto lugar, o reconhecimento da salvação divina. Jonas diz que “ao Senhor pertence a salvação”. Aliás, este é o tema central do seu livro. A salvação pertence ao Senhor, tanto de Judeus quanto de gentios. A salvação não pertence a um povo somente. Vemos isto quando lemos Apocalipse 7.9, 10: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grade voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação”.

Jonas não podia salvar-se a si mesmo. Deus, porém, milagrosamente o salva. O grande peixe o vomita na terra. Quando Deus fala tudo lhe obedece, o único que ousou desobedecer a Deus foi o profeta Jonas. A salvação não é resultado do que fazemos para Deus, mas do que Deus fez para nós.

CONCLUSÃO

Esse episódio na vida de Jonas nos leva a refletir se nós não estamos tão obstinados em nossos desejos e vontades que estamos nos afastando de Deus para não fazermos a Sua vontade; e que esta sim tem sido a nossa real adoração. Por isso o Senhor nos lança para dentro de densas trevas, não para nos destruir, mas para nos trazer a lucidez perdida e a saúde espiritual.

Se você se sente assim em densas trevas, reavalie a sua condição espiritual e veja se você não está longe de Deus, agindo como um idólatra e completamente obstinado por aquilo que não pertence a Deus.

Eu louvo a Deus que não desiste dos seus, mas pelo contrário, se for preciso nos lança dentro do grande peixe para nos trazer de volta para Ele.

Que o Senhor nos abençoe!

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