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O conhecimento secular e a obra do Evangelho

Sempre quando pensamos na obra do Evangelho nos vem à mente: Evangelismo. Não está errado pensar desta forma, pois Cristo, antes de ascender aos céus, designou os seus discípulos a cumprir a Grande Comissão (Mateus 28.18-20; cf. Marcos 16.15-20). Porém, o outro ponto é o conhecimento secular e a sua relação com o evangelismo, como por exemplo, quando Lutero respondeu a um sapateiro que era convertido, quando perguntou a ele “de que forma poderia servir a Deus da melhor maneira”, Lutero respondeu: “Faça um bom sapato e venda por um preço justo”.

Portanto, surge a pergunta: De que forma, com o nosso conhecimento secular, podemos servir a Deus? Será que o conhecimento secular que adquirirmos pode nos ajudar no Reino de Deus?

Em rápidas palavras, mostrarei neste artigo dois exemplos de personagens bíblicos para mostrar como usar o nosso conhecimento secular para a glória de Deus.

O primeiro é Paulo. A Bíblia mostra, na defesa diante dos judeus (Atos 22.3), que Paulo nasceu em Tarso e que fora instruído aos pés de Gamalieu. A cidade natal de Paulo, Tarso, era famosa por sua universidade e, também, a cidade era considerada um centro cultural e intelectual filósofos e estoicos. Não se sabe ao certo se Paulo teve influência e educação nesta cidade. No entanto, em suas cartas é bem visível de que Paulo teve certa educação que não fora judaica. Vemos isso pelo seu domínio no grego e suas citações da literatura grega: Em Atos 17.28 Paulo faz uma citação de um poeta do século IV antes de Cristo, Epiménedes de Cnossos; Em 1Co 15.33 Paulo faz uma citação de um provérbio retirado de um poema grego, Menandro; E em Tito 1.12 Paulo diz que o poema de Epiménedes de Cnossos era profético. Mas a educação de Paulo não para por aí, segundo o texto Paulo fora instruído aos pés de Gamalieu. E quem foi Gamalieu? Segundo a história Gamalieu era neto de Hilel, que fundara uma das duas grandes escolas do pensamento judaico onde Gamalieu, possivelmente, se tornou o dirigente. Segundo Emil Shurer, o ensino consistia em familiarizá-los cabalmente com a ‘lei oral’ muito ramificada e verbosa. A instrução consistia num contínuo e persistente exercício de memória. O instrutor apresentava aos seus alunos diversas questões legais para as resolverem, e deixava-os responder ou ele mesmo as respondia. Permitia-se também aos alunos fazer perguntas ao instrutor [1]. Logo, podemos perceber que o apóstolo Paulo não teve uma mera educação, mas que sua educação foi privilegiada e que houve grande repercussão, como por exemplo, Festo disse a Paulo que “as muitas letras te fazem delirar” (Atos 26.24) e quando a Escritura mostra o primeiro convertido de Paulo, o oficial procônsul de Chipre Sergio Paulo elogiando a Paulo como “homem inteligente” (Atos 13.7). Segundo o livro História social do protocristianismo, mostra que o procônsul fazia parte da nobreza senatorial romana o qual, possivelmente, fazia parte da aristocracia Romana [2]. Logo, para um homem como este procônsul chamar Paulo de inteligente, é porque Paulo esboçava grande inteligência.

Outro exemplo a ser mencionado é Apolo, o cooperador de Paulo. Apolo era natural da cidade egípcia de Alexandria, possivelmente um judeu helenizado. Alexandria era considerada capital do centro bancário do Egito, centro manufatureiro de roupas, vidro e papiro, porto prospero e centro cultural como o principal centro do pensamento greco-romano com a principal universidade da época e uma enorme biblioteca. Foi nesta cidade que viveu o filosofo Filo e que, também, de onde foi produzida a tradução do Antigo Testamento hebraico para a Septuaginta (LXX) [3]. E o fato de Lucas mencionar de que Apolo era “homem eloquente” e “poderoso nas Escrituras” (Atos 18.24), pode-se dizer de que Apolo deve ter estudado tanto retorica como dialética e, também, um estudioso da Septuaginta. E assim, Apolo colocou suas habilidades intelectuais e analíticas a serviço do Reino de Deus: “tendo chegado, aproveitou muito aos que pela graça criam. Porque com grande veemência, convencia publicamente os judeus, mostrando pelas Escrituras que Jesus era o Cristo” (Atos 18.27b-28).

Conclusão

Todos os conhecimentos provêm de Deus, pois foi o próprio Deus que nos criou e nos fez à Sua imagem. Claro, essa imagem, mesmo existente, está corrompida pelo pecado. Paulo mostra que o mundo, por sua sabedoria, não conhece a Deus (1Co 1.21). Mas este conhecimento pode servir ao Reino quando chamado pelo o Evangelho. Uma prova de que todo tipo de conhecimento provem de Deus, é Salomão: “E deu Deus a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e largueza de coração, como a areia que está na praia do mar. E era a sabedoria de Salomão maior do que a sabedoria de todos os do oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios. E era ele ainda mais sábio do que todos os homens, e do que Etã, ezraíta, e Hemã, e Calcol, e Darda, filhos de Maol; e correu o seu nome por todas as nações em redor. E disse três mil provérbios, e foram os seus cânticos mil e cinco. Também falou das árvores, desde o cedro que está no Líbano até ao hissopo que nasce na parede; também falou dos animais e das aves, e dos répteis e dos peixes. E vinham de todos os povos a ouvir a sabedoria de Salomão, e de todos os reis da terra que tinham ouvido da sua sabedoria” (1 Reis 4.29-34). Segundo Gene Edward Veith Jr, Salomão era de acordo com a descrição do texto: filósofo, poeta, músico e cientista natural [biólogo] [4]. Portanto, podemos ver que Deus é a fonte de todo conhecimento verdadeiro e habilidade intelectual e que tais dons podem ser usados para o crescimento do Reino, defesa da fé cristã, ação social, produção de bons materiais cristãos, como: música, arte, cinema, pintura, literatura, e etc.

Que Deus nos ajude a cumprir o Seu mandato e honrar e glorificar a Deus com aquilo que Ele nos dotou.

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