Nós não precisamos de apologistas

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Uma conversa comigo mesmo

Estava pensando sobre o assunto e percebi que estava conversando comigo mesmo. Então, resolvi digitar esse “diálogo” solitário que tive comigo mesmo sobre o tema, achando que talvez pudesse ajudar alguém de alguma forma.

Eu estou percebendo que é cada vez mais comum algumas pessoas dizerem: a fé cristã não precisa ser defendida, ninguém precisa defender a igreja ou o evangelho e sim pregar o Evangelho.

O que será que isso significa? E mais, quais as consequências disso?

Estou achando complicada essa estória. Sim, complicada. Porque nós evangelizamos, mas os lobos veem e roubam as pessoas que nós evangelizamos, e depois quando vamos defender o rebanho estamos errados? Estamos errados porque buscamos proteger o rebanho contra os lobos?

Quer dizer que temos que trazer pessoas para o rebanho, mas não devemos proteger essas pessoas? Elas que devem se virar sozinhas?

Espera um pouco, isso é amor?

Deixa ver se eu entendi direito. Em outras palavras: O lobo está dentro da igreja e nós trazemos pessoas para dentro da igreja para o lobo as atacar lá dentro. Isso quer dizer que nós estamos apenas alimentando o lobo? Quer dizer que estamos alimentando quem deveríamos expulsar? Então, isso quer dizer que nós somos garçons do lobo?

Meu Deus, eu não vejo sentido nisso.

Bem, se a fé cristã não precisa ser defendida e ninguém precisa defender a igreja ou o evangelho, deveríamos então ignorar por completo alguns personagens históricos, e deveríamos também rejeitar as suas obras. Por exemplo, deveríamos ignorar:

INÁCIO DE ANTIOQUIA DA SÍRIA (35-108 d.C.) que lutou contra o gnosticismo e a favor da unidade da Igreja;

POLICARPO (69-155 d.C.), discípulo do apóstolo João, que lutou contra a heresia do marcionismo chamando Marcião de “primogênito de Satanás”, lutando contra hereges e pela defesa da fé e resistindo até o fim de sua vida, não negando a Cristo e declarando: “Eu tenho servido a Cristo por 86 anos e Ele nunca me fez nada de mal. Como posso blasfemar contra meu Rei que me salvou?”. Foi queimado na fogueira e ao não morrer ali foi apunhalado ate a morte;

TERTULIANO (155-220 d.C.), que combateu o gnosticismo, defendeu a Trindade a Divindade de Cristo contra as seitas que distorciam a ortodoxia da Bíblia, escrevendo a obra “Apologética”;

JUSTINO MARTIR (100-166 d.C.), grande apologista e um dos principais defensores da fé na história da Igreja. Escreveu várias obras, como: Primeira Apologia, Segunda Apologia e o Diálogo com Trifo, o judeu;

IRINEU (130-202 d.C.), que escreveu contra os apóstatas, contra o gnosticismo e contra o marcionismo. Sua principal obra foi Adversus Haereses (Contra Heresias), escrita entre 182 e 188 d.C.;

ORÍGENES (185-254 d.C.), grande erudito que escreveu aproximadamente seis mil pergaminhos sobre a Bíblia, incluindo escritos sobre as variantes textuais da Escritura, que é um assunto extremamente importante para a Defesa da Fé;

AGOSTINHO DE HIPONA (354-430) que escreveu mais de 100 livros, 500 sermões e 200 cartas, entre os quais muitas obras foram produzidas para combater o maniqueísmo, platonismo, donatismo, pelagianismo e defender a Trindade contra as distorções e heresias. Escreveu, ainda, De Haeresibus, que é uma história das heresias. Dentre seus muitos escritos apologéticos está a famosa De Civitate Dei (A Cidade de Deus);

JOÃO CRISÓSTOMO (347-407), conhecido como “boca de ouro”, por sua eloquência. Destacou-se por pregar contra a falta de moralidade em seus dias e contra a não interpretação “literal” (histórico-gramatical) da Escritura, e defender que a moral e religião deviam andar juntas, assim como a cruz e a ética;

TEODORO (350-428), conhecido como “o príncipe dos exegetas antigos”. Defendeu a interpretação histórico-gramatical, conhecida na época como “literal”. Combateu o método de interpretação alegórico, que hoje é utilizado pelo Movimento da Fé;

EUSÉBIO DE CESARÉIA (260-340), que combateu o arianismo. Sua obra “História Eclesiástica” é de suma importância para o conhecimento histórico da Igreja e para a Defesa da Fé.

Então, se ignorarmos todo o legado que esses homens deixaram, hoje teríamos uma igreja gnóstica, marcionista, edonista, maniqueísta, platonista, donatista, pelagianista, que não acreditaria na Trindade e que não aceitaria que Jesus é Deus.

Espera um pouco. Isso ainda seria Igreja?

Bom, se é para ser assim, deveríamos, ainda, excluir todos os textos da Bíblia em que o apóstolo João combate o gnosticismo, ou quando o apóstolo Paulo defende a fé combatendo a judaização da igreja (Gálatas). Deveríamos, também, excluir todos os textos em que Jesus prega o Evangelho reprovando a religiosidade. E por falar nisso, deveríamos também excluir o livro de Judas da Bíblia, já que é um chamado ao combate em defesa da fé que foi entregue aos santos de uma vez por todas (Jd 3).

Ah, já ia me esquecendo também das orientações que o apóstolo Paulo deu ao jovem pastor Timóteo, para defender a fé contra as distorções de ensinos de espíritos enganadores e doutrinas de demônios (1Tm 4), bem como sobre a necessidade de preservar a fé sadia (2Tm 4:5), pois chegariam os dias da apostasia em que não suportariam a sã doutrina (2Tm 4:3). Deveria excluir tais passagens da Bíblia também.

A propósito, deveria também reprovar o apóstolo Paulo publicamente quando chegar lá no céu de glória, porque ele discutia sobre a fé cristã todos os dias nas praças (At 17:17) ao invés de pregar o Evangelho, todos os sábados nas sinagogas com os judeus (At 18:4) ao invés de pregar o Evangelho, e ainda achava um tempinho para ensinar na escola de um certo Tirano (At 19:9).

Eita, se é assim, só Deus sabe o que Paulo estava ensinando naquele lugar?

Se é para ser assim, deveria também excluir as mensagens que o próprio Jesus Cristo deixou em Apocalipse 2 e 3, quando fala contra os falsos apóstolos DENTRO DA IGREJA (Ap 2:2), contra a sinagoga de satanás DENTRO DA IGREJA (Ap 2:9), contra a doutrina de Balaão DENTRO DA IGREJA (Ap 2:14), contra a doutrina dos nicolaítas DENTRO DA IGREJA (Ap 2:15), contra a falsa profetiza Jezabel DENTRO DA IGREJA (Ap 2:20), contra pessoas DENTRO DA IGREJA que estão envoltas nas coisas de satanás (Ap 2:24), contra pessoas DENTRO DA IGREJA que se contaminaram e apenas umas poucas que não se contaminaram (Ap 3:4), e contra o materialismo, comodismo, pensamento politicamente correto e apatia DENTRO DA IGREJA (Ap 3:15,16).

Enfim, se pregar o Evangelho é uma coisa e defender a fé é outra, e defender a fé é errado, isso quer dizer que muita coisa da Bíblia deveria ser retirada dali.

Então, eu deveria apenas pregar o Evangelho. Mas, que Evangelho? O que é pregar o Evangelho? Ah, já sei. É simplesmente dizer: Jesus te ama e tem um plano para sua vida! Jesus quer te salvar.

Deixa ver se eu entendi direito: É isso mesmo???

Espera um pouco que eu vou abrir minha Bíblia para ver o que o apóstolo Paulo disse sobre pregar o Evangelho…. Espera um pouco….. Achei, aqui:

“Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: PREGA A PALAVRA, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4:1,2)

Tudo bem, o apóstolo disse para pregar a Palavra de Deus. Ok! Mas, o que é que acompanha essa pregação da Palavra de Deus?

Ah, ele diz logo em seguida isso: “corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina”. Então, a pregação do Evangelho envolve correção, repreensão, exortação com toda a insistência e perseverança e com base nas doutrinas? Isso mesmo!

Mas por quê?

Porque o apóstolo disse o seguinte: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2Tm 4:3,4)

Então, chegará um tempo em que haverá abandono da fé dentro da Igreja? Sim! Chegará um tempo em que as pessoas, dentro da Igreja, estarão interessadas apenas em si mesmas?Sim!

E o que fazer diante disso?

O apóstolo diz o seguinte: “Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério” (2Tm 4:5).

Então devemos ser sóbrios? Sim! Devemos suportar as aflições? Sim! Devemos fazer o trabalho de um evangelista? Sim!

Mas, o que é o trabalho de um evangelista?

Bem, nos versículos anteriores o apóstolo já disse que o trabalho de um evangelista é pregar a Palavra de Deus, e pregar a Palavra de Deus envolve corrigir, repreender e exortar com toda a longanimidade e doutrina.

Então, quer dizer que pregar a Palavra de Deus e evangelizar é a mesma coisa? Sim!

Então, evangelizar também é corrigir, repreender e exortar com toda a longanimidade e doutrina? Sim!

Mas, espera um pouco! O que é defender a fé?

Defender a fé é corrigir o erro, repreender quem comete o erro e exortar os irmãos com toda a longanimidade e com base na doutrina bíblica.

Ops. Então, quer dizer que defender a fé é uma forma de evangelização? Exatamente! Foi exatamente isso que os apóstolos ensinaram.

Então por que algumas pessoas dizem que evangelizar é uma coisa e defender a fé é outra?

Sinceramente? Não sei! Talvez digam isso porque talvez não tenham entendido direito nem uma coisa e nem a outra. Mas, é melhor fazer essa pergunta para quem fez essa afirmação.

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