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Compreendendo a linguagem do Gênesis

Escuto e leio algumas pessoas e materiais que tentam desmerecer o relato cosmogônico do gênesis juntamente com algumas outras passagens encontradas neste livro, como sempre, tentando fazer uma comparação com descobertas geológicas e antropológicas recentes.

O primeiro passo seria compreender que o autor do livro não estava escrevendo para cientistas até porque eram comunidades pré-científicas em relação ao que conhecemos hodiernamente como ciência. Foi escrito em um estilo literário poético tipicamente hebreu e utilizado da época e tendo como princípio reitor, ensinar verdades religiosas.

Se pegarmos a cosmologia, é evidente um salto de qualidade até superior a alguns relatos de filósofos gregos pré-socráticos que acreditam que tudo vinha de uma matéria informe e primitiva. Os hebreus fazem seu Deus um ser superior a tudo e ser anterior a todas as coisas comparável com a definição Aristotélica: causa incausada, que causa todas as causas causadoras de causas causantes.

O uso de linguagem simbólica como a representação do mal na figura da serpente é perfeitamente compreensível, quando se quer contrapor relatos cananeus aonde o animal era adorado. A representação do planeta era fruto de observação empírica e não realizada através experimentos; como o fato de a chuva e a neve caírem de cima ter-se a idéia de que havia outro mar nas alturas.

Quando se faz críticas a qualquer material escrito atualmente ou antigamente, deve-se lembrar o contexto no qual ele foi escrito, a formação do autor e o público que ele esperava alcançar, em vista de não se cometer anacronismos. A Escritura Sagrada não está em contramão com a ciência uma vez que foi Deus que nos deu a habilidade de desenvolvimento cognitivo.

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