Home / ESTUDOS BÍBLICOS / A vontade de Deus

A vontade de Deus

Em todos os seres inteligentes existe uma vontade… homens, anjos e Deus têm vontades. No homem, a vontade é a faculdade da mente pela qual é feita uma escolha duma ação futura a qual determinamos. No querer um homem tem o propósito da ação em vista. Na vontade encontra-se a causa do ato; se fosse de outra maneira, ele seria uma simples máquina ou autômato. Se pego uma arma e mato outro homem, a vontade operou antes da mão; o propósito vem antes do ato. Mas se alguém me segura e outro põe em minha mão uma arma, forçando meu dedo contra o gatilho, este ato não foi meu, não escolhi nem quis cometê-lo. Em tal ato não seria um ser responsável, antes uma simples máquina ou instrumento de outra pessoa.

Em Deus, a vontade é o atributo pelo qual Ele determina e executa acontecimentos futuros. Sua vontade inclui tudo o que sucede, portanto todo acontecimento é providencial e não acidental no que concerne a Deus. Ele age em tudo conforme o Seu querer. Efésios 1:11. Os passarinhos não caem sem o conhecimento de Deus.

O dicionário define providência como acontecimento divinamente ordenado. Bem sabemos que os acontecimentos são seqüenciais, isto é; interligados quanto ao tempo, e um acontecimento provoca outro. Segue, portanto que se os acontecimentos são ordenados, as seqüências dos mesmos também o são. É comum ver os acontecimentos como providenciais e acidentais. Até os crentes têm a tendência de classificar certos atos como providências ou acidentais. Eles associam a providência com o que é bom, e acidentes com o que é mal. Lembro-me da ocasião quando a família Rickenbacker foi socorrida milagrosamente após ter caído no mar em seu avião. Os Rickenbackers consideraram o resgate como providencial, mas o autor considera o acontecimento todo como providência. Devemos ver a providência divina agindo tanto nas nossas aflições quanto nas nossas bênçãos. Jó falava dos dois estados quando disse: “O Senhor o deu, e o Senhor o tomou”. Jó 1:21. E quando sua esposa queria que ele amaldiçoasse a Deus e morresse, ele disse: “Como fala qualquer doida, assim falas tu; receberemos o bem de Deus, e não receberíamos o mal”? Jó 2:10. E quando todos os seus bens deste mundo foram perdidos, vendo nisto a mão de Deus, disse: “Ainda que ele me mate, nele esperarei”. Jó 13:15.

A vontade de Deus inclui as ações perversas dos homens pecadores, mas isto não lhes tira a culpa. Talvez não entendamos, mas as Escrituras declaram tal fato e nós devemos acreditar nelas. As Escrituras não foram escritas para a confirmação do nosso raciocínio, mas para a sua correção. No dia de Pentecostes, Pedro, falando sobre Cristo, disse: “A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos”. Atos 2:23. E noutra ocasião falou que Herodes, Pilatos, os gentios e o povo de Israel juntaram-se para fazer o que antes tinha sido determinado pela mão e pelo conselho de Deus. Atos 4:27-28. Talvez nós não possamos compreender como Deus pode determinar um pecado a ser praticado, sem se tornar o autor do pecado, mas o fato permanece que o maior dentre os pecados, a crucificação do Filho de Deus, foi divinamente determinado.

DISTINÇÕES NA VONTADE DE DEUS

Os teólogos fizeram muitas distinções na vontade de Deus, algumas falsas, outras desnecessárias, mas uma distinção é de fato manejar corretamente a Palavra da verdade. Esta é a distinção entre a Sua vontade de decretos e Sua vontade de preceitos, ou, em outras palavras, Sua vontade de propósito e Sua vontade de mandado. Sua vontade de propósito é sempre efetuada, mas Sua vontade de mandado muitas vezes é deixada sem ser efetuada. A vontade de propósito não pode ser mudada, pois isto significaria a destronização de Deus; a vontade de mandado é muitas vezes violada, pois os homens estão em rebelião contra Deus. Se a vontade humana for maior que a divina, então a primeira prevalecerá e Deus será destronizado. Se a rebelião humana puder subjugar o governo divino, segue-se que não há verdadeiramente um Ser supremo. Para melhor distinguirmos estes dois tipos de vontade, consideraremos cada um deles separadamente.

A VONTADE DIVINA DE PROPÓSITO

1. Ela é eterna. Deus não está formando novos propósitos, pois Seus conselhos são desde a antigüidade. Isaías 25:1. Seu propósito em Cristo é tido como eterno. Efésios 3:11. O que será, será, portanto, “Conhecidos são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras”. Atos 15:18.

2. Ela é eficaz. A vontade proposital de Deus é sempre cumprida. Deus não é homem para ocupar-Se com pensamentos de “ah, se fosse”. Não existem meros desejos Seus que não possam ser cumpridos. Isaías 14:24-27. Por exemplo, lá no passado da eternidade, Deus quis ou determinou a morte de Seu Filho, e séculos após o começo dos tempos vemos Deus dirigindo as livres ações dos homens pecaminosos para efetuar tal acontecimento. Ainda mais, Ele predestinou e predisse os detalhes… quando, onde, e como Seu Filho morreria. Encontramos portanto nos quatro evangelhos referências onde diz que isto ou aquilo aconteceu para que as Escrituras se cumprissem.

3. Ela é imutável. Deus nunca muda Sua vontade de propósito. Existem somente dois motivos que fazem alguém mudar de idéia ou de vontade; deve ser porque se vê que o que foi proposto não é sábio, ou porque o que foi proposto não pode ser cumprido. Mas nenhum destes dois motivos é aplicável a Deus. Ele fez Seus planos em onisciência, e os executará em onipotência.

A oração não muda a vontade de Deus, mas muda as coisas. As mudanças trazidas pela oração fazem parte da vontade proposital de Deus. O Espírito de Deus faz intercessão pelos santos de acordo com a vontade de Deus. Romanos 8:27. As orações respondidas são feitas na energia do Espírito Santo. Pode-se orar sem o Espírito e receber o que desejou, mas não seria em resposta a oração feita. Dois generais inimigos podem orar pela vitória na batalha vindoura, mas ambos não poderiam estar orando no Espírito Santo, e é possível que nenhum dos dois estivesse. Em toda oração verdadeira um pensamento está implícito ou expresso: Não seja feita a minha vontade, mas a Tua.

“Cristo, bom Mestre eis meu querer: Tua vontade sempre fazer; faze-me forte para resistir duras fraquezas que possam vir. Cristo, bom Mestre eis meu querer: mais santidade de vida ter; faze-me firme ó Cristo, meu Deus, para não deixar a senda dos céus. Cristo, bom Mestre, eis meu querer: todas as minhas faltas vencer; faze-me rijo para lutar, Para a vitória sempre ganhar”.

4. A vontade proposital de Deus foi a causa da nossa salvação. Sou um homem convertido ou salvo. Nascido de novo. O que ou quem está atrás desta grande salvação? O que ou quem foi que efetuou a minha conversão? Qual a explicação desta tremenda mudança que houve na minha vida? Por detrás de toda ação existe uma vontade. Fui eu que quis transformar a mim mesmo? Em João 1:12 lemos que os crentes recebem o poder de se tornarem filhos de Deus, e o versículo seguinte explica sua fé nestas palavras: “Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”. A fé salvadora não se origina em nossos pais, nem em nós mesmos, nem em outro homem qualquer; mas é dom de Deus. Tiago 1:18 diz: “Segundo a sua vontade, nos gerou pela palavra da verdade”.

A VONTADE DIVINA REVELADA NA BÍBLIA

1. A vontade revelada refere-se ao que Deus já prescreveu como nossa regra de pensamento e conduta. A vontade de Deus é expressa em toda lei divina. No Éden foi a vontade de Deus que determinou que tipo de lei seria dada a Adão e Eva. No Sinai, Deus não consultou Moisés nem os filhos de Israel a respeito das leis às quais seriam sujeitos. Numa democracia o povo faz suas próprias leis pela escolha de representantes que servem em câmaras de legislação. Isto cria grupos de pessoas que querem fazer legislação a favor de certos grupos de pessoas, porque os homens são egoístas; não amam ao seu próximo como a si mesmo. Mas em nossa relação com Deus, não tratamos com uma democracia, mas com uma teocracia. Na vontade divina revelada na Bíblia, temos a soberania da autoridade. Na vontade divina de propósito temos a soberania do poder.

2. É a vontade divina de mandado e não a de propósito que os homens são responsáveis a realizar. Foi Sua vontade de propósito que trouxe Cristo ao mundo, mas esta não foi Sua vontade de mandado. Ao crucificar a Cristo, os homens estavam cumprindo o propósito de Deus, mas não estavam obedecendo-a, como uma ordem divina. Não pode haver pecado ao se fazer o que Deus ordenou. Pedro nos diz que eles mataram Cristo com suas mãos perversas; portanto não estavam obedecendo à ordem de Deus. O que Deus propõe é o fator determinante; o que Ele manda é nossa responsabilidade. Para os homens é fácil ver esta distinção em tudo, menos na religião. Alguém que vê somente um lado da verdade diz: “Se é da vontade de Deus que eu seja salvo, Ele me salvará; portanto não vou me preocupar”. Mas este mesmo alguém, nem sequer sonharia agir da mesma maneira em outro caso qualquer. Em relação a colheita deste ano, a vontade divina de propósito determina a ceifa, mas Sua ordem é cultivar, plantar e ceifar. A vontade divina de propósito determina se nós viveremos ou morreremos, Tiago 4:15, mas a Sua vontade de ordem é que obedeçamos às leis da saúde. Ninguém deixa de comer porque crê que a vontade divina de propósito determina se vai viver ou morrer. A vontade proposital de Deus determinará o resultado duma guerra, mas seria loucura nos sentar e dizer: “Se for da vontade de Deus que ganhemos esta guerra, ganharemos, ao contrário seremos derrotados; portanto não vamos fazer nada e deixemos de lutar”. A vontade proposital de Deus determina o resultado do nosso testemunho por Cristo. “Pela manhã semeia a tua semente, e à tarde não retires a tua mão, porque tu não sabes qual prosperará, se esta, se aquela, ou se ambas serão igualmente boas”. Eclesiastes 11:6. “Porque assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não torna, mas rega a terra, e a faz produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a palavra, que sair de minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei”. Isaías 55:10-11. É a vontade de ordem divina que semeemos à margem dos ribeiros de águas, que preguemos o Evangelho a toda criatura, e Sua vontade de propósito cuidará dos resultados e realizará os Seus desejos.

É a vontade divina de propósito que determinará se serei salvo ou não, mas é tolice sentar e dizer que se for um dos eleitos serei salvo; portanto não preciso interessar-me no caso. A vontade divina de mandado é que eu me arrependa e confie, e esta é a responsabilidade de cada um. Temos ordem de confirmar nosso chamado e nossa eleição. 2 Pedro 1:10. Temos ordem de entrar pela porta estreita. Lucas 13:24. O homem que não se interessa por sua alma e não se importa com sua salvação; se persistir em tal atitude, findará no lago de fogo; pois aquele que não crê será condenado. Muito da vontade divina de propósito pertence à vontade secreta de Deus, e as coisas secretas lhe pertencem, mas o que Ele já revelou e ordenou pertence a nós. Deuteronômio 29:29.

[product_category per_page=”4″ columns=”4″ orderby=”” order=”” category=”capacitacao-eclesiastica”]

About Gamaliel

Check Also

A Páscoa Judaica de Jesus

Os Símbolos da Páscoa remetem à libertação de Israel da escravidão do Egito. Deus Enviou …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

%d blogueiros gostam disto: